quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Perfume

Acordei com o barulho de um trovão.
Exatamente TUDO que eu não queria: chuva, muita chuva!
Meus planos foram levados para os bueiros com as toneladas de água que caia.
Fui trabalhar triste. Nem olhei para a porta do ônibus quando ele parou no ponto que ela sobe.
O dia passou e a chuva não. De onde vinha tanta água?

Quando cheguei na faculdade, a chuva havia se transformado em uma garoa leve e fria. Muito fria.

Contrariando minhas esperanças, ela estava no portão principal com um Nike, uma calça jeans, um moletom verde e um guarda chuva vermelho. Ela estava, como sempre, linda!
Quando eu a vi, o mesmo sorriso de ontem voltara. O sorriso de satisfação e alívio.
Ela, quando me viu, sorriu também. E depois fez uma cara de: “essa chuva acabou com nosso passeio”. Ainda me pergunto como entendi isso em seu rosto.

Me aproximei, cumprimentei com um beijo na bochecha e, enquanto andávamos até o bloco, disse:
-Nem me fale!
- Você nem sabe o que eu vou dizer? – disse ela dando um soquinho no meu braço.
- Mas aposto que vai dizer que a chuva estragou nosso passeio e que ele vai ter que ficar pra outro dia. – eu disse quase certo de que realmente era isso.
- Há! Você errou! – ela riu – Não é isso não.
- Ah não é? Então o que é? – perguntei com uma voz um pouco rouca.
- É que vamos mesmo embaixo de chuva! E você não pode dizer que não!
- Acho que eu não tenho opções então! – disse respondendo seu sorriso.
- É então meu querido guia turístico, aonde vamos primeiro? – ela perguntou olhando para mim.
- Vamos à biblioteca...

O papo continuou junto com o passeio na PUC que hoje, mesmo fria e molhada, estava linda.
Falamos sobre os cursos, família, casa, lugares favoritos, músicas, manias e mais um monte de coisas que eu fiz questão de guardar em minha mente.

Voltamos à biblioteca depois de duas horas. A chuva ficou mais forte então nos refugiamos lá.
Estava fechando o guarda-chuva quando ela me deu um abraço e me agradeceu por levá-la pra conhecer a universidade.
- Obrigado Fabio! - ela disse me abraçando.
- Obrigado por quê? O prazer foi meu! – disse abraçando-a e sentindo seu perfume.
Começou a tocar “Let This Go” do Paramore.
Era o celular dela.
- Alô? Oi mãe... Tudo bem sim... Você está vindo me buscar?... Tá bom... Eu só vou comer alguma coisa, hora que chegar me ligue... Você está chegando já?.. Tá bom... Te espero ali na frente... Beijo.
Ela olhou com uma cara triste pra mim, retribui o olhar triste.
- Ela está chegando? – perguntei por que ela conversou o tempo todo olhando pra mim.
- Está sim. Que pena, estou com fome. E queria ir comer alguma coisa com você.
- Eu te acompanho até o portal. – queria poder levá-la para casa.
- Obrigado. – ela disse abrindo o guarda chuva.
Fomos andando devagar, em silêncio. Quando chegamos no portal, ela viu o carro de sua mãe parado e disse:
- Então amanhã no intervalo nós comemos alguma coisa né? – seus olhos eram doces.
Confirmei com a cabeça e sorri.
Não fiquei ali para vê-la entrar no carro. Saí e fui até minha sala. Não tinha ninguém. Fui embora.

Ainda sinto o perfume dela na minha blusa.

Eu a quero, muito.

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