terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Promessas

Duas semanas se passaram.
As aulas começam hoje.
Até então, não mais a encontrei.
Sempre que parava naquele ponto, independente de horário, olhava para a porta.
Hoje, uma segunda feira, eu achei que seria mais um dia que meus olhos se desviariam para a porta do ônibus e, entristecidos, procurariam um novo foco por não encontrá-la.
Entretanto, como uma fonte no meio do Saara, ela entrou no ônibus para que meus olhos pudessem se esbanjar de sua ternura e minha pele corar-se de vergonha por eu não conseguir contê-los.

Hoje já não tinha mais lugar no ônibus, mas eu consegui sentar depois que um homem saiu.
Como que se estivesse atendendo meu pedido, ela ficou segurando com uma mão em um ferro perto de mim e a outra em meu banco. Pensei em oferecer o lugar para ela, mas seria muito babaca. Com uma voz baixa eu disse:
- Moça, quer que eu leve sua mochila? (olhei para seus olhos e pedi que aquele momento não acabasse nunca)
- Claro! – disse ela com um sorriso no rosto – Obrigado!

Ao pegar sua mochila, diferente da que usava no primeiro dia, reparei no que estava escrito.
Biologia – PUCPR.
Não podia ser apenas coincidência, aquela menina tão linda, estudava na mesma universidade que eu e ainda mais, cursava biologia! Justamente onde tenho tantos amigos.
Vi ali uma ótima oportunidade e logo disse:
- Caloura? (perguntei olhando para cima)
- Oi? (perguntou ela tirando o fone do ouvido)
- Você é caloura né?
-Ah! Sim! Como você sabe? (ela realmente estava surpresa, ou mente muito bem)
- Tenho muitos amigos no curso de biologia e nunca vi você e com certeza ia ter reparado em você lá na PUC!
Não acredito que disse isso. Acabei de jogar minhas cartas na mesa. Ela, toda simpática, sorriu envergonhada. Eu, agoniando, desviei o olhar para algo que nem sei o que era, que estava do outro lado da rua.
Ela, percebendo minha rápida mudança de comportamento e tentando normalizar a situação, perguntou:
- Que curso você faz?
- Química - respondi subindo o olhar para seu rosto.
- Adoro química, seria minha segunda opção! – respondeu ela com um sorriso hipnoticamente lindo no rosto.
- Legal, não é muito fácil encontrar loucos por aí. – eu disse rindo.
Ela riu, linda.
Depois de alguns minutos de conversa produtiva chegamos ao terminal. Quando desci fui indo para o lado de sempre para ir trabalhar. Ela foi pro lado oposto. Eu parei, ela parou e veio em minha direção.
- Você está indo onde? – ela perguntou.
- Trabalhar, hoje é só segunda feira! – respondi com um tom de tédio e logo perguntei – E você? As aulas são só de noite, ainda é 11 e 20 da manhã!
- Ah, eu sei! é que hoje vou almoçar com uns amigos do cursinho, depois vou comprar um caderno e ir pra faculdade mais cedo. Sou perdida nessa Curitiba! – terminou a frase rindo.
- Legal!
Depois disso, nós marcamos que eu iria encontrá-la no bloco do curso dela.
Antes dela ir embora, eu disse:
- Não perguntei seu nome ainda. Qual é?
- Letícia, e o seu?
- Fabio.
- Então nos encontramos lá Fábio – disse ela pouco antes de me dar um beijo na bochecha.
-Até Letícia – respondi acanhado com a vermelhidão que seu beijo deixara meu rosto.
Enquanto eu esperava meu ônibus, vi que ela olhou para trás umas três vezes enquanto atravessava o terminal.

Essa noite promete!

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